A verdade sobre o leite materno

A verdade sobre o leite materno
4 de outubro de 2016

Dr. Mauro Fisberg foi convidado para participar do blog Letra de Medico, da seção Colunistas da Veja para uma matéria quinzenal. Confira a primeira matéria publicada ...


A verdade sobre o leite materno

Por: Mauro Fisberg

Entra ano, sai ano, surgem movimentos defendendo o uso de leites industrializados para bebês com menos de 6 meses. Pois digo aqui que não há discussão: o leite materno é o único alimento adequado para os mamíferos. Assim, o leite de uma zebra seria adequado às zebras, o de leoa para os pequenos leões e o da mulher para os seus filhos.

É um alimento completo

O leite materno deve ser dado de forma exclusiva, sem a introdução de outros alimentos ou mesmo água, por pelo menos seis meses de vida do bebê. Inúmeros trabalhos científicos mostram que a quantidade de sais minerais, vitaminas, substâncias ativas e elementos de defesa do leite materno são perfeitos para um bom crescimento e para o desenvolvimento de todas as nossas funções fisiológicas. Além disso, o aleitamento materno tem vantagens emocionais para a criança e para a mãe, garantindo pontos extras no relacionamento dessa dupla. 

O leite muda a cada mamada 

Esse tipo de alimento é tão rico e especial que possui os nutrientes necessários para as diferentes fases da criança nos primeiros meses de vida. Algumas diferenças ocorrem em cada etapa da formação do leite. É possível, inclusive, afirmar, que o leite de cada mama é diferente, assim como é diferente o leite em cada mamada e a cada mês. O colostro, que se forma na fase final da gravidez, tem maior quantidade de açúcar natural – a lactose – , e proteínas, que garantem maior possibilidade de defesa contra infecções no início da vida. 

Não existe leite fraco

Algumas mães acham que seu leite pode ser fraco porque a aparência do colostro difere daquela do leite industrializado, especialmente o da vaca. De cor mais transparente, de consistência diferente e com composição variada a cada dia, o colostro é essencial para a formação do sistema de defesa do recém-nascido e nos primeiros dias de vida. Gradativamente vai sendo substituído pelo leite maduro, de cor esbranquiçada e mais consistente. No entanto, a aparência pode variar continuamente. Isso não significa que seja mais forte ou mais fraco. 

Ele evita obesidade e outras doenças

O aleitamento materno está também ligado à possível programação de eventos futuros, como o nosso peso, a probabilidade de nos tornarmos obesos, de apresentarmos problemas cardiovasculares, como infartos, derrames e hipertensão, e talvez isso esteja ligado ao tempo de amamentação. Quanto maior for o tempo do  aleitamento, mais fácil será a criança para a criança ter um paladar elaborado e, assim, gostar de frutas, verduras e legumes no futuro.  O aleitamento também está associado a melhor condição cognitiva – memória, inteligência, capacidade de resolver problemas e atenção.

E por quanto tempo deveríamos manter o aleitamento, mesmo que complementado por outros alimentos? Se pensarmos na história do ser humano, o aleitamento era mantido quase sempre por dois, três anos, ou até o aparecimento de uma nova gravidez. Hoje temos uma grande discussão entre diferentes profissionais da saúde. Uma coisa é certa: como a antropóloga americana Margaret Mead (1901-1978) dizia, manter o aleitamento materno por muito tempo é como um casamento. Enquanto está adequado para os dois parceiros, a instituição funciona… A partir do momento em que um dos dois não está confortável, não há por que manter a união. 

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