Adolescência: uma construção social

9 de abril de 2005

A adolescência hoje é vista como um momento crucial na vida do indivíduo, caracterizado pela rebeldia, contestação, desequilíbrio e instabilidade extrema. Tal concepção propõe uma essência adolescente, na qual há um modo de ser característico, ou seja, despreza-se o contexto social e cultural da pessoa para identificar um padrão geral de comportamento. O que proponho aqui é, ao contrário do senso comum, pensar a adolescência como um momento construído a partir da realidade social. Nela, as transformações biológicas adquirem marcas próprias de acordo com o que a sociedade valoriza e significa, ou seja, interpreta da realidade.
As mudanças no corpo e no desenvolvimento do pensamento são marcas que a sociedade destacou. No entanto, definir uma mentalidade responsável pelo comportamento do jovem na nossa sociedade é defender que o elemento biológico tem uma expressão direta no que o indivíduo é. É nítido que o corpo passa por grandes transformações orgânicas, mas até ai nos utilizarmos dela para acreditar na “síndrome normal da adolescência” é ir longe demais. A visão ocidental sobre a adolescência A cultura ocidental acredita numa crise preexistente no jovem. Para a maioria das pessoas, o adolescente é aquele que está sempre irritado, insatisfeito, confuso... Na verdade não é isso que necessariamente acontece. Há várias culturas na

Postado em Adolescência Hoje por admin
1 de abril de 2005

Claro que todo mundo quer ser bonito ! Quando uma adolescente descreve como gostaria de ser habitualmente destaca um tipo totalmente diverso daquilo que efetivamente é. Há acentuada insatisfação quanto a formas de ser, com algum aspecto físico, rosto ou corpo ou algum “defeito” que muitas vezes só ela vê mas que a torna infeliz pela importância exagerada que a ele confere. Em meu trabalho com modelos, jovens e mulheres privilegiadas ou consideradas perfeitas, encontro um grau de insatisfação consigo próprias acentuadamente maior que entre as jovens não modelos! Sim senhora! Elas questionam a própria beleza muito mais que as não modelos! Também elas têm a sensação de uma “feiúra imaginária”! O que podemos concluir deste fato? Que, muito mais do que SER bonita e ESTAR bonita é importante SENTIR-SE bonita. Continue procurando cuidar-se! Exerça a sua vaidade mas sem obsessões ! A beleza é um estado de espírito! Ser bonita, sob certos aspectos, é ser feliz consigo própria! É respeitar os próprios limites, a própria individualidade. BELEZA É UMA QUESTÃO DE IMAGEM E DE AUTO-IMAGEM! Sim! Você somente irá exercer sua beleza se o “retrato mental” que tiver de si própria for adequado! Qualquer intervenção estética é válida desde que você a “curta”. Mas, por favor, ao procurar a beleza lembre-se que por traz da jovem existe uma pesso

Postado em Adolescência Hoje por admin
1 de abril de 2005

Comi um pedaço de bolo no trabalho. Era aniversário de uma colega. De cara pensei “está tudo perdido!” “Vou estragar minha dieta!”. Saí do escritório, passei em um Supermercado e comprei doces e sorvetes. Afinal, “perdido por um...” Em casa, devorei tudo isso e muito mais. Dor, culpa, arrependimento e...mais comida. Final de mais uma dieta“! Mais uma frustração, auto-estima lá em baixo! (Depoimento de Maria Lucia, 28 anos)”. Esse relato, típico de pessoa com compulsão alimentar, revela o lado “gordo” de nossa amiga. Sua forma distorcida de avaliar a realidade a levou, como vem levando, a comportamentos errôneos em relação a seu peso, ao alimento. Pensamentos que refletem crenças errôneas, não questionadas. Naturalmente todos os seus colegas comeram a fatia de bolo. Aqueles de “cabeça magra” voltaram a seu trabalho e não mais pensaram no assunto. Nem se iriam “compensar” deixando de comer isso ou aquilo na janta. Cada qual voltou para sua casa e tocou sua vida, inclusive em termos alimentares. Qual a diferença entre eles e Maria Lucia?
Nela a perspectiva de comer um pedaço de bolo provocou, por experiências passadas, pensamentos automáticos distorcidos, do tipo “está tudo perdido”, “estraguei tudo” que a levaram a culpa e motivaram o descontrole. Como poderia ter agido, se fosse possível voltar no tempo?
Seu comportamen

Postado em Adolescência Hoje por admin
1 de abril de 2005

É comum estudantes, atores, professores, profissionais de uma forma geral queixarem-se de uma falha de memória em algumas situações cruciais de suas vidas. O famoso "branco" , que pode ocorrer numa palestra, prova oral, no meio de uma apresentação teatral, na gravação de um comercial, num exame vestibular, atrapalhando ou até inviabilizando momentos de vida DA PESSOA. Um estudante que, mesmo bem preparado, tenha um branco num vestibular pode deixar de entrar na faculdade e carregar consigo toda uma expectativa muito ruim para situações futuras, muitas vezes provocando o que mais temia: OUTRO BRANCO! O bloqueio da fala e do pensamento, como é conhecida esta reação, é uma resposta de ansiedade. Na evolução da espécie, respostas de luta ou fuga tinham a função de proteger o homem primitivo de seus predadores e eram consideradas positivas. O bloqueio de fala e pensamento poupava o nosso ancestral do ataque direto ao predador ou da fuga imprudente e mal calculada. Simplesmente "congelava" e, imóvel, aguardava o perigo passar, quando lutar ou fugir eram impossíveis. Na vida atual não há mais essa necessidade. O branco surge como "proteção" para o indivíduo em relação a uma ameaça subjetivamente percebida e provavelmente mal avaliada. Acaba disparando o mecanismo de ansiedade, inclusive com ativação fisiológica, gerando medo e prejudicando o desempenho

Postado em Adolescência Hoje por admin