Elogio do "Kilo"

24 de março de 2005

Comida a peso só poderia aparecer num país de tanta convergência étnica e tão baixa tradição culinária quanto o Brasil. O arroz, o feijão preto, um pedaço de paio e uma costelinha estão arranjados como um diminuto jardim em torno de um enorme obelisco vermelho, que é um pedaço de melancia cortada com apuro e assentado sobre uma “grama” de couve. Arrumados nos quadrantes do prato, quatro sushis lembram banquinhos nessa minipraça comestível. Tudo deu 450 gramas. A secretária gordinha sorri satisfeita, enquanto busca um canto para se sentar à mesa de sua amiga, que está diante de um prato com macarrão ao molho branco e bacon, banana fatiada e sushi.

 Estamos num “kilo”, evidentemente. A grafia com “k” mostra que, apesar do vínculo com o “quilo” (a balança), nada se assemelha a esta invenção brasileira.

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