Com a palavra, Dr. Mauro Fisberg

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Sobre a criança que não come

         Resolvi inaugurar esse espaço, aqui no site, com um dos assuntos mais relevantes dentro dos consultórios e que é questão central na minha rotina como pediatra: as dificuldades alimentares na infância.

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que existem os mais diferentes tipos. Há desde a falta de apetite relacionada com questões orgânicas e que pode surgir quando as gengivas estão machucadas ou se a garganta está infeccionada, por exemplo, até certas manias à mesa, que sinalizam, em determinados casos, distúrbios sérios.

         Vou destacar a seletividade alimentar, mais especificamente os casos de crianças que têm a chamada aversão sensorial. Nessas situações, costuma-se observar uma reação peculiar frente a alguns aspectos da comida. Aquele garoto que não gosta da forma arredondada das ervilhas, faz cara feia e as deixa de lado ou aquela menina que rejeita cenoura cozida, mas devora o vegetal cru são exemplos de casos brandos, que não afetam a convivência ou a saúde. Que essa turminha não me ouça, mas trata-se, na maioria das vezes, de chatice pura.

        capa-livro Entretanto, o problema torna-se bem mais complicado quando a simples mania gera muita angústia ou desencadeia ansiedade excessiva. Esses sinais podem denunciar um transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Aqui a criança reage exageradamente e não tolera certas texturas, sabores, cores, o que faz das refeições momentos extenuantes, com atitudes neuróticas. Lamentavelmente esses comportamentos podem ultrapassar os limites da cozinha e da sala de jantar e chegar a outros locais, interferindo com o cotidiano. Há crianças que repelem o contato com outras pessoas, não gostam de se sujar e ficam aflitas quando algo foge daquilo que ela esperava. São casos bastante delicados e que precisam de uma abordagem global, que inclui, pediatria, psicologia, nutrição, entre outros profissionais.

         O cinema traz alguns personagens marcados por transtornos e que ajudam a ilustrar perfis com alterações de comportamento. O filme O Jogo da Imitação (The Imitation Game/2014) traz a história do matemático inglês Alan Turing, interpretado brilhantemente pelo inglês Benedict Cumberbatch e que, inclusive, lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor ator nesse ano. Turing apresentava manias como a de separar as ervilhas no prato e tinha crises quando alguma delas encostava em outros alimentos.

         Outra obra que retrata o TOC é Melhor é impossível (As Good as It Gets/1997). Jack Nicholson, numa interpretação memorável e premiada, faz o escritor Mevil Udall que, entre outras manias, só faz as refeições na mesma mesa, no mesmo restaurante e com os talheres de plástico que traz de casa. Ele sofre um bocado quando nota que algum outro cliente ocupou seu lugar no recinto.

         Excluídas as doses de exagero cinematográficas, é fundamental olhar com muita atenção e cuidado para sintomas e sinais que apontem para esses distúrbios. Há tratamento eficaz e, não custa lembrar, quanto mais cedo o diagnóstico, melhor para a criança!

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