Meus dias nada interessantes.

Meus dias nada interessantes.
30 de dezembro de 2015

Vivemos dias interessantes ou talvez nem tanto… Mas a vulgarização da informação digital leva a reflexões bastante complexas. Tudo é divulgado, desde uma informação garimpada em sites totalmente desconhecidos e que ninguém sabe se são confiáveis ou não, até um suspiro de tristeza ou um estado de espírito. Tudo é amplamente espalhado nas redes sociais, com cópias de textos que ninguém sabe se são de alguém, figuras que se repetem indefinidamente, fotos de alimentos, de animais, de crianças. Um descortinar de coisas absolutamente importantes para um, e provavelmente importantes para o pequeno universo de amigos OU talvez para milhares de seguidores, se você tiver a sorte de ser um famoso.

 Artista de televisão, blogger, ativista ou simplesmente se você souber gravar um vídeo na SUA TELA, e conseguir ser replicado. Você pode ser famoso por segundos. Pobre Warhol, seus 15 minutos de fama foram pulverizados pela rede.

Vejo profissionais de saúde recém formados atrevendo-se a dar lições para familiares, pacientes e colegas. Um residente de pediatria, no alto de sua enorme experiência de vida, determina que todos os seus colegas não sabem prescrever, por que lhes falta bom senso. Nutricionistas que nunca passaram das carteiras da graduação, replicam fotos de seus pacientes maravilhosos, no antes e depois.

Que importa que isto seja proibido pelos órgãos fiscalizadores, se a fiscalização nunca dará conta de avaliar tudo que se publica.

Profissionais da gastronomia, que talvez nunca tenham lido um livro, arvoram-se em gurus da longevidade, da saúde e da vida saudável, em que o vegetal da vez é o ídolo momentâneo.

Minha náusea me embota um pouco o sentimento de que anos e anos de experiência, de estudos, de leituras, de orientado e orientador, nada valem neste mundo. Quem sou eu para replicar os ABSURDOS que são exclamados por profissionais ou leigos contra o mundo  do industrializado, do anti natural, do que não segue a corrente vigente.

Como eu posso me atrever a dizer que gosto sim de doces, salgados, sem ser chamado de reacionário, de coxinha… E imagino, que estes morreriam se souberem que adoro a coxinha creme …

Talvez eu esteja ficando velho e cansado, ou deveria desligar o meu face, instagram, twitter, mail. Ser conectado talvez não seja exatamente a maravilha que pensávamos. Este mundo esta viciado, e não pode mais ser desligado da tomada. Temos síndrome de abstinência ao sabermos que enquanto estamos escrevendo, não estamos olhando a enorme quantidade de spams que seguramente recebemos nestes minutos…

Quero voltar aos tempos de uma casa de campo, com meus livros, discos ( alguém ainda sabe o que são?) e um pouco de paz…
maurofisbergCom a palavra, Dr. Mauro Fisberg

Postado em Com a palavra Dr. Mauro por Aby Tosatti | Tags: