O universo da moda alternativa

O universo da moda alternativa
15 de abril de 2016
Crédito da Foto: Leticia Muller

Crédito da Foto: Letícia Muller

O numero de meninas e adolescentes que se inscrevem todos os anos para concursos nacionais para seleção de modelos é enorme. Os requisitos são múltiplos, como medidas bastante rigorosas, postura e fotogenia. No entanto, a necessidade de uma altura mínima bastante elevada e peso muito baixo, fazem com que a maioria das adolescentes que se inscrevem, sejam descartadas. Obviamente que as características genéticas favoráveis, fazem com que algumas regiões do país sejam mais propensas a ter maior número de candidatos, como o sul do Brasil, com a herança europeia.

O número de modelos brasileiras famosas na mídia, tem feito com que cada vez mais meninas busquem o sonho de serem internacionalmente conhecidas. Mas da mesma forma que em esportes como o futebol, muitas pessoas ficam no caminho e podem ter problemas em um mundo bastante complexo. O trabalho é intenso, o número de horas de dedicação é imenso e a remuneração na maior parte das vezes, bastante pequena.

A possibilidade de ser reconhecida como bonita, a exposição, e a possibilidade de viagens, e recompensas, também determina que um número grande de modelos que não se encaixam nos padrões de passarela, sejam modelos fotográficos. Isto não é novidade, em que rostos e corpos bonitos são escolhidos para os grandes editoriais, de moda, roupa, cabelos, unhas, acessórios.  O que é novo é o que conhecemos como modelos ALT FASHION. Ou o modelo em que a roupa ou acessório complementam um estilo de vida. Em que as modelos interagem com o editorial e não é simplesmente um veículo para o estilista.  Este tipo de modelo representa não somente uma face para a produção, mas também representa um estilo de vida diferente. Pessoas jovens, com uma aparência que combina com um novo padrão visual, moderno, street, urbano e as vezes agressivo. Tatuagens, piercings, cores e padronagens nada clean.  Uma destas modelos é Letícia Muller, 21 anos, ALT model, ALT fashion, alternativa a um mundo estereotipado. Letícia posa para editoriais de moda desde bebê, quando com 6 meses de idade foi fotografada para uma campanha. Desde então, fotografa regularmente com estilistas para moda infantil e adolescente. Alta precocemente, uma puberdade tardia não permitiu que continuasse a carreira de passarela, já que sua altura final ficou aquém do esperado. Com 1,65 metros, precisou ser ela mesmo. E começou uma carreira com fotos diferentes, e começou a moldar seu corpo de forma mais agressiva, com tatuagens, piercings e uma sensualidade que é ambígua e que não permite interpretações de certo-errado, esperado-inesperado. Um rosto brasileiro que faz sucesso internacional. Em relação a suas tatuagens, Letícia diz: "No meu caso a tatuagem é bem mais que uma forma de arte e de expressão, ela é feita para contar num pouco do que sou e do que passei.

Pessoas dizem que cada desenho tem um significado, mas isso é muito pessoal.  Um exemplo é a âncora que tenho tatuado-  alguns dizem ser um símbolo ruim que te leva pra baixo e te mantem parada estagnada. Já para mim ela significa força, segurança e estabilidade."

Sobre sua carreira na moda- Letícia mostra sua força- " Bom os sonhos de ser Top model ou jogador de futebol, entre algumas outras carreiras determinam que existam relativamente chances mínimas em um mar de concorrentes. Mas principalmente na moda a autoafirmação pelo padrão de beleza conta muito -  sou linda, magra, fotogênica, sou modelo. O salário não é o único beneficio. Esta não é minha profissão mas faço trabalhos alt como modelo como um extra e um pouco do desejo de também de se sentir bonita."

Quanto a moda masculina ou feminina, as escolhas dependem muito do local, do país, da cultura. Com toda certeza a mulher tem maior interesse pela moda, mas existem lugares e lugares. Na Itália a moda masculina é extremamente forte, até mais que a feminina. Agora falando em Brasil, o homem brasileiro prefere o tipo confortável, e básico ao elegante. E exatamente por isso Letícia quer trabalhar com moda masculina por ser um mercado ainda pouco procurado. Por ter poucas profissionais brasileiras que foquem no guarda roupa do homem, este mercado tende a crescer bastante. E especialmente dar espaço para um mundo diferente, em que ser igual não basta.  Aos adolescentes de hoje, um conselho. A imagem pode ser plasmada por uma realidade que não necessariamente passa pela imposição de um modelo totalmente plastificado, mas sim pela aceitação do próprio corpo e de diferenças que podem fazer parte do real.

Postado em Adolescência Hoje por Aby Tosatti | Tags: