Obesidade grave na infância prediz alto risco de obesidade na idade adulta

Obesidade grave na infância prediz alto risco de obesidade na idade adulta
11 de janeiro de 2018

Por Abykeyla Mellisse Tosatti/para Nutrociência

Crédito da Foto: Getty images

As crianças obesas aos 2 anos apresentam uma probabilidade de 75% de serem obesas na idade de 35 anos.

Embora a atual epidemia de obesidade em crianças e adultos tem sido bem documentada, pouco se sabe sobre os riscos da obesidade a longo prazo, levando em consideração a idade atual e o peso das crianças. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, em novembro de 2017, desenvolveu um modelo de simulação para estimar o risco de obesidade aos 35 anos na população atual de crianças dos Estados Unidos. Os autores analisaram o IMC (Índice de Massa Corporal) de 42.000 crianças e adolescentes, com idade entre 2 e 19 anos, e adultos. A obesidade grave foi definida como IMC ≥35 em adultos e ≥120% do percentil 95 para a idade em crianças.

Entre as descobertas e previsões do modelo:

  • Com base nos níveis atuais de IMC, 57% das crianças serão obesas na idade de 35 anos.
  • A prevalência da obesidade aumentou dos 2 aos 19 anos.
  • Entre as crianças obesas, a probabilidade de obesidade aos 35 anos aumentou de 75% em crianças de 2 anos para 88% em jovens de 19 anos.
  • Entre as crianças eutróficas, a probabilidade de obesidade aos 35 anos diminuiu de 58% em crianças de 2 anos para 44% em jovens de 19 anos.
  • Entre as crianças com obesidade grave, a probabilidade de não serem obesas aos 35 anos foi de 27% em crianças de 2 anos e 6% em jovens de 19 anos.
  • O risco relativo de obesidade aos 35 anos aumentou de acordo com a idade e IMC: de 1,2 em crianças de 2 anos com excesso de peso para 3,1 em jovens de 19 anos com obesidade severa.
  • A maioria dos obesos aos 35 anos obesos não eram obesos quando crianças.

“Estas tendências simuladas são muito interessantes e sugerem que a identificação da obesidade na infância e as intervenções institucionais devem ser altamente priorizadas na tentativa de evitar a obesidade mais tarde na vida”, enfatizam os autores.

Nota da Nutrociencia - "A classificação do IMC em crianças foi ainda utilizando o critério americano de excesso acima do ponto de corte definido como Percentil 95. Nos últimos anos, temos utilizado a classificação com o uso do Z escore, acima de +2, o que equivaleria a aproximadamente o Percentil 97. Utilizando 20% acima do P95, estamos provavelmente ainda com valores menores que o que seriam observados utilizando o Z+3, que é o critério para obesidade grave ou mórbida utilizado pela OMS  (Organização Mundial da ou de Saúde) e SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).  De qualquer forma, este trabalho reforça dados publicados na década de 70 e 80, com o grupo de Martorell e o de Bouchard, que já indicavam que a medida que tivéssemos obesidade mais precoce e por mais tempo, teríamos maiores indices de obesidade na população adulta.  Isto enfatiza a necessidade de prevenção e diagnostico precoce do excesso de peso", esclarece Dr. Mauro Fisberg 

Referência:
Ward ZJ et al. Simulation of growth trajectories of childhood obesity into adulthood. N Engl J Med 2017 Nov 30; 377:2145.

Postado em Saúde e Nutrição por Aby Tosatti | Tags: