Será que o peso da mãe interfere na amamentação?

Será que o peso da mãe interfere na amamentação?
1 de março de 2017
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Crédito da Foto: pixabay

Por Abykeyla Mellisse Tosatti

Amamentar não é apenas nutrir a um bebê, é um elo que envolve profundamente mãe e filho, com impacto no estado nutricional da criança – desenvolvimento cognitivo e emocional e a habilidade de defesa contra infecções -, além de ter implicações na saúde psicológica e física da mãe. Apesar das muitas evidências científicas mostrando a vantagem da amamentação sobre outras formas de alimentar a uma criança pequena, as taxas de aleitamento materno no Brasil, em especial as de amamentação exclusiva, estão bastante aquém do recomendado. Acontece que algumas mulheres não podem amamentar - como, por exemplo, as que fazem uso de quimioterápicos para tratamento de câncer, ou que foram infectadas pelo vírus HIV -, e outras que simplesmente não conseguem levar o aleitamento adiante. Mas por quê? Será que existe alguma relação entre o IMC (Índice de Massa Corporal) da mãe e a duração do tempo de amamentação?

Para responder a essa questão, um estudo de coorte, publicado no European Journal of Clinical Nutrition, avaliou 4231 crianças - aos 3, 12, 24 e 48 meses de idade - para reunir informações sobre as características maternas e das crianças - incluindo padrões de amamentação, IMC da mãe e a duração do aleitamento materno. Ao final das análises, os autores notaram que há uma probabilidade maior de mulheres obesas e com sobrepeso interromperem o aleitamento materno antes dos 3 meses de idade, em comparação às mães com IMC normal.

“As mulheres obesas e com sobrepeso simplesmente não conseguem levar o aleitamento adiante, na grande maioria das casos, por falta de orientação e de acompanhamento adequado”, concluem os autores. Toda gestante necessita de orientações complementares sobre os inúmeros benefícios proporcionados pela duração do aleitamento materno. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno exclusivo por seis meses, e complementado até dois anos ou mais, tanto para benefício à saúde do bebê, quanto à da mãe.

Referências:
1. H Castillo, I S Santos, A Matijasevich. Maternal pre-pregnancy BMI, gestational weight gain and breastfeeding.Eur J Clin Nutr. 2016 Apr; 70(4): 431–436.
2. Saúde da Criança: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. 2009

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