Sobre obesidade em tempos de crise

7 de abril de 2016

Há algumas décadas, quando a taxa de obesidade começou sua ascensão, notávamos que parte da população estreou em uma exagerada predileção por alimentos de alto teor calórico em detrimento de itens mais equilibrados do ponto de vista nutricional.  Esse movimento era mais prevalente no grupo de maior poder aquisitivo.

De uns anos para cá, entretanto, começamos a observar que uma parcela da população de nível socioeconômico mais baixo também passou a privilegiar produtos de valor altamente energético – e que garantem maior rendimento. O resultado dessas escolhas ficou nítido e se refletiu nas taxas de sobrepeso que foram ficando cada vez mais altas entre esses indivíduos.

Atualmente, diante dos inúmeros trabalhos que apontam uma relação entre o excesso de peso e comorbidades que vão de danos emocionais até doenças cardiovasculares, despertou-se uma grande preocupação em vários setores da sociedade. E, justamente pelo acesso informação, hoje a classe de maior poder aquisitivo começa a selecionar melhor os alimentos e tem optado por um cardápio com menor quantidade de calorias.  Essa dinâmica, porém, ainda não impactou no número de casos de obesidade no país, até porque não observamos essa movimentação em todas as camadas da popula

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19 de fevereiro de 2016

Sabe-se que a hora do lanche é estratégica para incluir nutrientes essenciais para o desenvolvimento infantil. Trata-se de um momento em que o cardápio pode ser organizado e planejado para garantir que a alimentação seja a mais equilibrada desde os primeiros anos de vida. Aliás, é preciso distinguir lanchar de beliscar, sendo esse último o consumo de itens entre as refeições, mas sem nenhum critério ou planejamento. Beliscar é algo ocasional, que acontece de acordo com a oportunidade.

Com o intuito de conhecer a composição dos lanches feitos pelas crianças brasileiras, nossa equipe da Nutrociência, juntamente com outros médicos, nutricionistas e outros experts, tanto da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), quanto da Danone Research, desenhamos o estudo Nutri-Brasil Infância 2.

Por meio de questionários – aplicados por entrevistadores treinados e supervisionados por profissionais da saúde – coletamos informações de uma amostra representativa da população brasileira ( 3756 meninos e meninas, sendo 1391 com idades entre 4 e 6 anos e 2365 com idades entre 7 a 11) , de todas as regiões do país e de todas as classes sociais. Foram avaliados os principais ingredientes que compõem os lanches intermediários entre as principais refeições. Pr

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26 de janeiro de 2016

Sempre que chega o final do mês de janeiro nos deparamos com uma situação: a dificuldade das famílias em lidar com o retorno das crianças para a escola. A rotina diferenciada durante as férias é um dos principais fatores por trás dessa complicação.

É natural – e saudável – que ocorram algumas transgressões na temporada de descanso da criançada. Entretanto, cabe ressaltar, é fundamental dosar e impor determinados limites em qualquer tempo. Só para exemplificar, os horários de sono costumam ser totalmente modificados durante as férias. A utilização de smartphones, computadores até altas horas da noite e mesmo o hábito de ver TV madrugada adentro ajudam a protelar a ida para a cama.  Hoje é comum que o quarto tenha tudo o que a criança ou adolescente precisa, esse cômodo da casa é uma espécie de universo autossuficiente. Ali eles se divertem, comem e, quando já não há mais nada de interessante para fazer, dormem.

Assim o que se vê nessa época é a turma acordando bem tarde, até mesmo depois do meio dia, e toda a agenda do dia a dia acaba comprometida. Afinal, quem vai querer tomar café da manhã quando o almoço já está quase pronto?

Aliás, por falar em café da manhã, as refeições também são bas

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30 de dezembro de 2015

Vivemos dias interessantes ou talvez nem tanto… Mas a vulgarização da informação digital leva a reflexões bastante complexas. Tudo é divulgado, desde uma informação garimpada em sites totalmente desconhecidos e que ninguém sabe se são confiáveis ou não, até um suspiro de tristeza ou um estado de espírito. Tudo é amplamente espalhado nas redes sociais, com cópias de textos que ninguém sabe se são de alguém, figuras que se repetem indefinidamente, fotos de alimentos, de animais, de crianças. Um descortinar de coisas absolutamente importantes para um, e provavelmente importantes para o pequeno universo de amigos OU talvez para milhares de seguidores, se você tiver a sorte de ser um famoso.

 Artista de televisão, blogger, ativista ou simplesmente se você souber gravar um vídeo na SUA TELA, e conseguir ser replicado. Você pode ser famoso por segundos. Pobre Warhol, seus 15 minutos de fama foram pulverizados pela rede.

Vejo profissionais de saúde recém formados atrevendo-se a dar lições para familiares, pacientes e colegas. Um residente de pediatria, no alto de sua enorme experiência de vida, determina que todos os seus colegas não sabem prescrever, por que lhes falta bom senso. Nutricionistas que nunca passaram das carteiras da graduação, replic

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